De dentro da cadeia, preso engana 4 mil pessoas e dá golpe de R$ 750 mil



Por telefone, preso vendia contratos de trabalho do governo do Amapá.
Esquema foi descoberto pelo núcleo de inteligência da Polícia Civil.

Delegado Leandro Totino, titular do Núcleo de
Operações e Inteligência (Foto: John Pacheco/G1)

 Um homem de 44 anos que está preso desde 2007 no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) é apontado pela Polícia Civil como responsável por um esquema que enganou quase 4 mil pessoas no estado, entre julho de 2013 e dezembro de 2014. Por telefone, o detento vendia às vítimas contratos administrativos de trabalho do governo do Amapá, ao preço de R$ 250. De acordo com o delegado do Núcleo de Operações e Inteligência (NOI) Leandro Totino, somando os golpes aplicados, o homem já teria faturado cerca de R$ 750 mil.

Totino informou que as investigações iniciaram em janeiro de 2014, quando um grupo de pessoas procurou pela polícia para denunciar a prática. Elas informaram que o detento, que se apresentava como "Lima", ligava para as vítimas e dizia que estava recrutando militantes para trabalhar na campanha eleitoral, com a promessa de emprego garantido no governo do Amapá após as eleições.

De acordo com uma das vítimas, que preferiu não se identificar, o preso cobrava pelo serviço, mas prometia que o valor seria ressarcido em no máximo um mês. Junto com outra amiga, que também caiu no golpe, a mulher disse que indicou outras duzentas pessoas.

"Ele dizia que a gente poderia pagar de R$ 200 a R$ 300, mas que o ressarcimento seria em torno de R$ 1,8 mil. A gente foi enganada porque ele tinha uma lábia muito grande e imaginava que seria uma coisa séria, porque tínhamos que até abrir conta", disse a mulher.

Outra vítima do golpe, que também pediu sigilo da identidade, disse que quando foi enganada gerenciava o setor de abertura de contas de um banco privado. Ela conta que o presidiário ligou e se apresentou como cabo eleitoral, informando que um grupo de pessoas abriria contas correntes para recebimento do suposto pagamento pelo que seria trabalho na campanha eleitoral.

"Ele disse que poderia arranjar um emprego para a minha esposa na Assembleia Legislativa, caso eu fizesse um pagamento inicial e chamasse mais gente. Eu reuni outras 70 pessoas, que também se iludiram com a promessa. Acabei sendo demitido, porque ele indicou 200 pessoas para abrir conta, nenhuma delas recebeu os valores prometidos e acabaram ficando endividadas com o banco. A direção desconfiou e me tirou da função para evitar uma situação pior", contou a vítima.

 De acordo com o delegado, "Lima" prometia empregos em órgãos como a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Secretaria de Estado da Administração (Sead) e Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa). O homem cumpre pena há 7 anos por estelionato. Segundo a polícia, ele teria aplicado oito golpes semelhantes em outras ocasiões na capital.

"Essas pessoas enganadas recrutaram outras pessoas que também caíram na lábia do estelionatário. Até onde investigamos esse número chegava a 3,7 mil vítimas de Macapá, Mazagão, Laranjal do Jari e Vitória do Jari", disse o delegado, que concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (18), para falar sobre o assunto.



O esquema
Segundo as investigações, o preso havia contratado por telefone os serviços de um despachante que ficava responsável por buscar o dinheiro que as vítimas deixavam em uma casa de acesso à internet, no Centro de Macapá. A polícia informou que o local foi usado para o esquema, embora o proprietário do estabelecimento não tivesse conhecimento do golpe. As vítimas eram orientadas pelo homem a dizer que estavam deixando encomendas no local. A suspeita é de que a mulher do preso era quem recebia o dinheiro e pagava os laranjas pelos serviços. Ela não foi presa.

De acordo com o delegado, Lima usava quatro números de telefone diferentes para falar com as vítimas de dentro da cela do Iapen. Três chips estavam no nome dele e um outro no nome da mulher, que mora no distrito da Fazendinha, em Macapá.

"A gente fez o rastreamento dos número e quebrou o sigilo telefônico das conversas. Ele usou todos [vítimas], desde o dono da lan house que foi utilizada para os enganados realizarem os pagamentos, como os oficie boys que buscavam as encomendas e deixavam na casa da esposa", afirmou o delegado.

Além dos valores em dinheiro, o detento manipulava as vítimas para que fizessem outros favores em troca dos contratos de trabalho, segundo a polícia. Totino informou que de acordo com o depoimento de uma das vítimas, o homem pedia para que fossem comprados móveis e alugados carros para o transporte das pessoas que vinham do interior.

"Uma casa chegou a ser construída só com o dinheiro dos golpes. Muita gente chegou a se endividar e ser acusada como autora dos golpes pelas outras pessoas que foram enganadas. É realmente difícil de acreditar, mas este Lima conseguiu gerenciar todo o esquema praticamente sozinho, mesmo sem as vítimas o conhecerem pessoalmente. Em todo o esquema, ele disse fazer parte da equipe de campanha de um candidato, mas nas investigações constatamos que tudo isso era mentira", reforçou Totino.

De acordo com o delegado, o detento foi interrogado, mas negou o esquema. Ele será indiciado novamente por estelionato. O delegado pediu um novo mandado de prisão contra o suspeito e encaminhou o inquériro para a Justiça do Amapá.

Fonte:G1
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