Bebê de adolescente morta no parto deixa hospital com pai: 'Perdi meu grande amor'

Família diz que jovem morreu após médicos forçarem parto normal.
Parentes levaram recém-nascido na tarde desta terça.



Parentes de Rafaela Cristina Souza dos Santos, de 15 anos, que morreu na noite de sábado (25) no Hospital de Acari, para onde foi trasnferida após dar à luz no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, Zona Oeste do Rio, buscou o bebê Miguel no hospital na tarde desta terça-feira (28). Emocionada, a mãe de Rafaela, Ana Carla Silva de Souza, de 41 anos, disse acreditar que a morte da filha aconteceu devido a um erro da equipe que a atendeu.
Segundo a família, a equipe teria forçado um parto natural sem verificar a rpessão arterial da menina, que teve uma convulsão por eclâmpsia. Só então foi levada para o centro cirúrgico para uma cesariana, quando teve o útero perfurado. Com hemorragia, foi transferida para o Hospital de Acari, onde morreu.

O pai do bebê, Deoglas Cláudio da Silva, de 20 anos, auxiliar de serviços gerais, disse que o  que aconteceu com Rafaela foi uma brutalidade.

"Ela se foi, mas deixou um presente para mim, que é o nosso bebê, Miguel, que é a cara dela. Estávamos juntos há 3 anos. Eu estava construindo uma casa, que era o sonho dela. Ia ficar pronta daqui a três meses. Assim como ela queria, eu vou terminar a obra e cuidar dele", disse.
Nesse primeiro momento, a criança vai ficar com a avó Ana Carla.
"Depois nós vamos nos dividir para cuidar do bebê. O Miguel é de todos nós. Quero pensar só no meu filho, já que perdi meu grande amor", acrescentou Deoglas.
A mãe de Rafaela afirmou que a filha se cuidou durante a gravidez:

"Ela fez o pré-natal direitinho. Não faltou nenhuma vez. Foi na Clínica da Família David Capistrano Filho, na Avenida Cesario de Melo. Eu fico triste porque tínhamos a expectativa de a minha filha sair daqui andando com o bebê. Por um erro deles eu estou saindo só com a criança", lamentou Ana Carla.
De acordo com a mãe de Rafaela, a enfermagem não verificou a pressão da adolescente.

"Das 3h às 14h de sábado, não verificaram a pressão dela. Uma enfermeira olhava para a cara da outra, sabendo que algo estava errado. Mas não faziam nada. Eu pretendo processar. Sei que isso não vai trazer a minha filha de volta. Mas acho que e necessário para que não aconteça com outras gestantes. É uma questão de justiça. As enfermeiras fazem tudo. Não tem médico aqui. Por mais que elas estudem, elas não são como os médicos, que estudam dez anos", ressaltou.

Revolta
Parentes de Rafaela estão inconformados com a morte da menina e acusam o hospital de negligência.
"Não levei a minha filha viva, para trazer ela de volta dentro de um caixão", disse a mãe Ana Carla.
De acordo com a família, os médicos teriam forçado demais o parto.
“Colocaram ela no soro, a pressão aumentou e ela teve uma convulsão de eclampse. Só depois disso é que levaram ela para o centro cirúrgico”, afirmou a irmã Daiane Caroline da Silva.
Rafaela entrou em trabalho de parto por volta das 3h de ssábado e até as 14h a equipe médica tentou induzir o trabalho de parto.

"Meu neto nasceu com 3 quilos e 335 gramas e medindo 53 centímetros. Minha filha tinha 15, mas tinha porte de 13 anos. Como fizeram uma coisa dessa?", pergunou Ana Carla. Ainda de acordo com ela, durante o processo de trabalho de parto não havia médico na equipe, apenas enfermeiros.
Segundo a mãe, durante a cesariana a menina chegou a ter o útero perfurado, provocando uma hemorragia. A jovem foi transferida de ambulância para o Hospital de Acari, mas acabou não resistindo e morreu.

"Tiveram que arrancar o útero dela fora. Aí entubaram ela e levaram para o Hospital de Acari. Quando cheguei lá ouvi do próprio médico do CTI: 'Mãe, o que fizeram com a sua filha?'", lamentou Ana Carla.
De acordo com a direção do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro a paciente era assistida por profissionais da unidade quando apresentou complicações durante o trabalho de parto. Em nota a secretaria Municipal de Saúde alegou que deu todo o suporte necessário.

“A paciente recebeu todo o suporte necessário, sendo transferida imediatamente após o parto para uma unidade de terapia intensiva, onde apresentou rápida piora no quadro e faleceu. O bebê permanece internado na unidade e passa bem. A Secretaria Municipal de Saúde lamenta o ocorrido e informa que toda morte materna é investigada por comissões técnicas especializadas na unidade e na secretaria. A direção do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro permanece à disposição da família da paciente para mais esclarecimentos”.

 De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, uma sindicância será aberta para apurar as circunstâncias da morte de Rafaela.
“Temos que apurar detalhar, ouvir especialistas e todas as equipes envolvidas no atendimento para saber o que aconteceu”.

Ainda de acordo com Soranz, em 2008 só 43% dos casos de morte materna eras investigados e hoje, 100% das mortes são investigadas. “Por enquanto a secretaria não identificou nenhuma imperícia, mas a investigação está muito no começo”, destacou o secretário, ressaltando que o Hospital Mariska Ribeiro é a maior unidade de maternidade da região e possui profissionais qualificados.

Fonte: G1
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