Laudo detalha crueldade contra chinês torturado no Rio; veja imagens

Imagens que fazem parte de processo mostram inúmeros ferimentos.
Dono de pastelaria usava rolo de massas para bater nas pernas e virilhas.

Detalhes do relatório médico, do laudo do Instituto Médico Legal (IML) e do depoimento de um chinês vítima de tortura no Subúrbio do Rio, são partes fundamentais do processo do Ministério Público do Trabalho (MPT) que investiga situação de trabalho escravo em, pelo menos, três pastelarias do Rio.

Em depoimento, o rapaz contou como eram as agressões. “O dono (da pastelaria) lhe agredia com o rolo de massas nas partes internas das pernas, virilhas e usou uma concha de sopa para lhe agredir no rosto e acabou pegando a orelha e que ela sangrou e ficou inchada; Mês passado o dono usou um cano de plástico para lhe agredir na cabeça; Ele falava para o dono que que não queria mais trabalhar para ele por que apanhava e o dono respondia que investiu despesas nele e por isso deveria continuar o trabalho”, diz o depoimento do jovem chinês, que precisou ser acompanhado por um tradutor, já que não fala português.


De acordo com o laudo do IML, que em quatro páginas detalha as marcas das torturas e os inúmeros ferimentos na vítima, as lesões foram produzidas por meio cruel. “A exuberância , a quantidade, e a diversidade de tipos de lesões observadas sobre o corpo do periciado, em quase todas as principais regiões corpóreas, bem como as flagrantes características de diversidade temporal, atestadas pelas diferentes fases de evolução cicatricial, vendo-se a coexistência de lesões, recentes e antigas, em uma mesma região do corpo, não deixam dúvida sobre o caráter de continuidade e crueldade sobre elas empregado”, detalha o laudo.

O proprietário da pastelaria foi preso em 2013 e responde pelos crimes de redução à condição análoga a de escravo, frustração de direitos assegurados por lei trabalhista, omissão de socorro e crime de tortura. O rapaz foi resgatado da pastelaria em abril de 2013 e imediatamente encaminhado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde ficou internado.


 As denúncias foram antecipadas pelo jornal "O Globo". O primeiro caso chegou ao conhecimento do MPT há dois anos, quando um rapaz foi hospitalizado com queimaduras no corpo. Além de ser obrigado a trabalhar sem remuneração, a vítima era alvo de castigos diários e jornada de trabalho exaustiva em uma pastelaria de Parada de Lucas.

“Ele levava coronhadas e apanhava todos os dias. Os vizinhos ouviam os gritos, mas como não era de socorro, não sabiam do que se tratava. Um dia o patrão jogou uma panela quente nas costas dele. A vizinhança chamou a polícia, e o menino foi hospitalizado”, diz a procuradora Guadalupe Louro Couto.

Além de condições de trabalho degradantes, o rapaz trabalhava das 5h às 23h e cuidava de toda a produção da pastelaria. Quando demonstrava exaustão, era submetido aos castigos. De acordo com a procuradora, o local onde o chinês foi encontrado é assustador.

“Aquela foi a pior semana da minha vida. É um lugar horrível, a pior situação a que um ser humano pode ser submetido. Dá muita indignação saber que ele era torturado diariamente”, lamentou Guadalupe. O rapaz vítima das agressões foi colocado no programa de Proteção à Testemunha, pois o MPT teme que ele seja alvo da quadrilha responsável pela vinda desses chineses para o Brasil.

Outras duas pastelarias são alvo de investigação
Outras duas pastelarias também são alvos de investigação do MPT. Nos locais, quatro chineses eram submetidos a trabalho forçado e sem remuneração, mas nenhum era vítima de castigo físico. De acordo com o Ministério Público, os chineses eram pegos no aeroporto e levados para as pastelarias, onde não tinham contato com outras pessoas.

Em um dos casos, a vítima era menor de idade quando foi resgatada da pastelaria onde trabalhava em situação análoga a do trabalho escravo. O rapaz permanece no Brasil e não deve ser mandado de volta à China. “A gente não sabe como isso funciona, e ele pode correr risco de morte”, disse Guadalupe.

Os três trabalhadores encontrados em outra pastelaria serão contratados pelo proprietário do estabelecimento e passarão a trabalhar com carteira assinada. De acordo com a procuradora, é fundamental que a sociedade de sensibilize com esses casos e denuncie sempre que suspeitar de situações parecidas.

Fonte: g1
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