Primeiro-ministro francês alerta sobre possibilidade de mais ataques na Europa

Manuel Valls diz que serviços de inteligência frustraram cinco ataques neste ano; Parlamento deve estender estado de emergência nesta segunda.

Autoridades acreditam que militantes islâmicos possam estar planejando novos ataques na França e em outros países europeus, disse o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, nesta segunda-feira.

Valls disse que serviços de inteligência franceses frustraram cinco ataques desde meados deste ano. Segundo ele, a França enfrenta um "exército terrorista" e não um único grupo, e que as ações da semana passada foram organizadas na Síria.

O grupo autodenominado "Estado Islâmico", que controla partes da Síria e do Iraque, assumiu a autoria dos atentados em Paris, que deixaram 129 mortos.

Bares, restaurantes, uma casa de espetáculos e o Stade de France foram atingidos em horário de grande movimento na noite de sexta-feira.

"Sabemos que operações foram preparadas e continuam a ser preparadas, não apenas contra a França, mas também contra outros países europeus", disse Valls à rádio RTL.

"O 'Estado Islâmico' não pode vencer esta guerra contra a gente, mas esta organização terrorista está tentando nos enfraquecer, nos dividir".
O Parlamento francês deverá discutir o estado de emergência nesta segunda-feira, que dá poderes às autoridades de fechar espaços públicos, impor toque de recolher e restrições à circulação de veículos e pessoas.

A imprensa francesa informou que a medida poderá ser estendida por três meses. Qualquer extensão para além de 12 dias exige aprovação do Parlamento.

No domingo, aeronaves francesas atacaram alvos do "EI" na cidade de Raqqa, no norte da Síria, considerada a capital do grupo. O governo francês disse que um posto de comando e um campo de treinamento foram destruídos.

O "EI" disse que os ataques de sexta-feira foram uma retaliação pelo envolvimento da França na coalizão liderada pelos Estados Unidos que realiza ataques aéreos contra o grupo na Síria e no Iraque.

Grande busca
Uma grande busca é realizada por sobreviventes ou cúmplices dos militantes islâmicos que realizaram os ataques. Sete responsáveis pelos atos morreram, a maioria após detonar explosivos presos ao corpo.

Cinco foram identificados no fim de semana e outros dois nesta segunda-feira: Ahmad Al Mohammad e Samy Amimour.

Al Mohammad detonou seus explosivos perto do Stade de France. Ele nasceu em 10 de setembro de 1990 em Idlib, na Síria - de acordo com informações do passaporte encontrado perto de seu corpo.

Amimour foi um dos suicidas a atacar a casa de espetáculos Bataclan. Ele nasceu em 15 de outubro de 1987 em Paris, e vivia no distrito de Drancy, no nordeste. Acredita-se que ele era acusado de terrorismo na França.

Mais de 150 operações policiais contra suspeitos foram realizadas no início desta segunda-feira, disse Valls. Fontes da polícia disseram a agências de notícias que as ações foram no subúrbio de Bobigny, em Paris, e também nas cidades de Grenoble, Toulouse e Lyon.

A imprensa local diz que grandes quantidades de armas foram encontradas e diversas pessoas foram detidas.

"Estamos fazendo uso dos aspectos legais do estado de emergência para questionar pessoas que integram o movimento jihadista... e todos aqueles que defendem o ódio à República", disse Valls.

'Suspeito principal'
A polícia busca por Salah Abdeslam, de 26 anos, tido como um dos principais suspeitos de envolvimento nos atentados. Ele seria irmão de um dos supostos suicidas.

Nascido em Bruxelas, ele teria alugado um Polo que foi encontrado perto do Bataclan, onde 89 pessoas morreram. Acredita-se que este carro tenha sido usado pelos atiradores.

o sábado, Abdeslam estava num carro com outros dois homens perto da fronteira com a Bélgica quando foi abordado por policiais, mas foi liberado após checagem. A polícia o descreveu como perigoso e alertou a população a não se aproximar dele.

O distrito de Molenbeek, no subúrbio de Bruxelas, é um dos principais focos da investigação. Um dos irmãos de Abdeslam, Mohammed, teria sido preso nesta área ao retornar de Paris. Ele segue sob custódia. A polícia belga disse ter feito sete prisões.

O premiê belga, Charles Michel, disse que autoridades do país poderão realizar uma grande operação em Molenbeek, que tem reputação como reduto de jihadistas.



Fonte: BBC
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