Bala perdida matou ao menos 52 e deixou 86 feridos no Brasil em 2015

Levantamento com base em notícias do G1 tem casos em 21 estados e DF.
Crianças e adolescentes são maiores vítimas; RJ representa 44% do total.
Vítimas de bala perdida em 2015 (620px por 388px) (Foto: Reprodução)
Tayná, de 7 anos, brincava numa rua de Paulista (PE) quando foi baleada na cabeça. A professora Miriã, 40, caminhava para a escola em Vila Velha (ES) quando foi atingida nas costas. Um tiro acertou a cabeça de Asafe, 9, no instante em que ele saía de uma piscina, no subúrbio do Rio. Além da dor, as famílias dessas vítimas têm em comum a dificuldade de encontrar os culpados: ninguém sabe de onde os tiros partiram.

Tayná, de 7 anos, brincava numa rua de Paulista (PE) quando foi baleada na cabeça. A professora Miriã, 40, caminhava para a escola em Vila Velha (ES) quando foi atingida nas costas. Um tiro acertou a cabeça de Asafe, 9, no instante em que ele saía de uma piscina, no subúrbio do Rio. Além da dor, as famílias dessas vítimas têm em comum a dificuldade de encontrar os culpados: ninguém sabe de onde os tiros partiram.

Pelo menos 52 pessoas morreram e outras 86 ficaram feridas por bala perdida em todo o Brasil em 2015. A Polícia Civil não contabiliza mortes do tipo, por isso, o levantamento foi feito com base em notícias publicadas no G1.

“Eu sei que foi uma fatalidade. Mas também é muito difícil saber e aceitar que as pessoas que atiraram ainda estão por aí, soltas, prontas para atirar e matar novamente”, diz Francisca Benedito da Silva, filha de uma vítima de bala perdida em Natal. João Benedito, de 83 anos, estava sentado em frente ao seu mercadinho quando ladrões tentaram assaltar pessoas na rua e acabaram atirando.

Ele é um dos dois casos em que a pessoa foi vítima em resultado de roubos a outras pessoas. Quase 40% das mortes de bala perdida envolvem disputas entre criminosos ou confrontos entre policiais e suspeitos: 10 vítimas foram atingidas em tiroteios entre bandidos e policiais, e 10 em confrontos entre criminosos.

Em nove dos casos de mortes, não há nenhuma informação sobre de onde surgiu a bala. Nove foram vítimas de pessoas faziam disparos aleatórios. Cinco mortes ocorreram em brigas. E, em outros cinco casos, a vítima foi alvejada quando alguém tentava matar uma terceira pessoa.

Uma vítima foi atingida após confusão em um presídio a menos de um quilômetro de distância. Ricardo Alves, 33 anos, morreu enquanto escovava os dentes na varanda de casa, no morro em frente ao Complexo Prisional do Curado, no Recife. "Era uma catástrofe anunciada. Esse presídio já era para ter saído daqui", contou o irmão da vítima, Maviael Alves.

Em relação aos 86 feridos, em grande parte dos registros iniciais (20), não há nenhuma informação sobre a origem do disparo. Outros 33 são resultado de tiroteios e 12, de alguém fazendo disparos.

RJ tem maior número de vítimas
Conforme os dados do G1, foram registrados casos em 21 Estados e no Distrito Federal. O Rio de Janeiro é o estado com o maior número de casos: 15 mortos, 45 feridos – 60 no total, o que representa 44% das ocorrências no país.

Em seguida está a Bahia, com seis mortes e seis feridos, sendo que as vítimas foram em sua maioria crianças de até 5 anos, atingidas durante brigas ou disputas do tráfico.
Apenas em Mato Grosso, Roraima, Rondônia, Acre e Tocantins não houve registros no ano.

Como são os registros
Joana Monteiro, presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, explica que não existe uma tipificação penal de "bala perdida" e que os casos são investigados pela Polícia Civil como homicídios e lesão corporal dolosa (em caso de ferimentos).

"A dificuldade é que as estatísticas são baseadas nos registros de ocorrência, que é o primeiro relato do evento que será investigado, e tipicamente há poucos detalhes sobre as circunstâncias da morte nestes registros", diz Joana.

As crianças e adolescentes são maioria entre as vítimas (representam 50% entre as fatais e 39% entre os feridos). Quando se analisa o critério por sexo, homens são maioria entre os mortos, mas isso não ocorre em relação aos feridos.

"Como a maioria das vítimas são garotos, atingidos em favelas de difícil acesso, os casos são recebidos com certa banalização, e ficam sem solução. São raros os casos que se tem lembrança que foram investigados, feito balística e comprovada a autoria do crime", diz Sílvia Ramos, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, no Rio.

As balas perdidas têm relação com o uso de armas mais potentes nos centros urbanos, como fuzis e carabinas, tanto pela polícia quanto pelos criminosos, que podem atravessar paredes e são capazes de alcançar até dois quilômetros de distância.


Fonte: G1
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