Estupradas e vendidas: meninas relatam abusos nas mãos do Estado Islâmico

"Éramos estupradas até cinco vezes por dia", diz jovem; "Uma menina cortou os pulsos. Eles cortaram o pescoço dela", conta

Mulheres da minoria religiosa yazidi que foram usadas como escravas sexuais
Elas temem mostrar os rostos, porque, segundo elas, têm amigos e família reféns dos fanáticos que poderiam sofrer represálias, caso suas identidades sejam reveladas. É difícil imaginar o que poderia ser pior do que elas já sofreram.

"Éramos estupradas até cinco vezes por dia", diz Bushra, de 20 anos. "Uma menina foi ao banheiro e cortou os pulsos, mas não morreu. Eles cortaram o pescoço dela. Os guardas me mandaram identificá-la: 'É uma amiga sua'. Eu não consegui reconhecê-la. O rosto dela estava coberto de sangue. Os guardas a enrolaram em um lençol e jogaram o corpo no lixo."

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Para minorias religiosas, o avanço das tropas do EI sobre enormes regiões da Síria e do Iraque é uma ameaça constante. Qualquer um que contrarie de alguma maneira o projeto de califado dos extremistas está sujeito a duras penas.

Para o grupo, a única lei é a sharia (o código legal islâmico), e infiéis não têm vez. Como os yazidis não são nem cristãos nem muçulmanos, mas adoram um deus pagão, aos olhos dos fanáticos muçulmanos são adoradores do demônio, e o seu extermínio é justo. Bushra conta como aconteceu a invasão do seu povoado, há exatamente um ano.

Invasão do vilarejo

"Certa noite, fomos atacados perto de dois vilarejos. A batalha durou até às 6h. Parentes no vilarejo mais próximo nos aconselharam a fugir, porque não havia soldados peshmerga, só yazidis. Mas no nosso povoado, os peshmerga disseram que não precisávamos nos preocupar e que nos protegeriam."

Só que as forças peshmerga curdas não resistiram ao EI, e invadiram o nosso vilarejo. Noor, de 21 anos, continua a história.

"Eles separaram homens, mulheres e crianças. Os homens foram levados para ser fuzilados. Eu tinha sete irmãos, só um conseguiu escapar. Os outros seis estão desaparecidos. A minha mãe foi levada junto com umas 70 moradoras mais idosas. Vimos uma escavadeira chegar e ouvimos tiros."

Só as jovens foram poupadas, e muitas prefeririam não ter sido. Munira, de 16 anos, disse que as moças foram reunidas numa sala de aula e começaram o processo de seleção.

"Os comandantes do EI têm entre 50 e 70 anos. Eu tinha 15 quando fui escolhida por um deles. Ele disse que meninas são melhores que as mais velhas. Normalmente, escolhem as mais bonitas e jovens."

Depois de algumas semanas, ele se cansou dela. "Abu Mohammed disse: 'Tive essa menina quando ela era virgem. Agora me cansei dela. Quero outra'."


Fonte: BBC
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