Para evitar prisão, mãe escondia crack na boca de bebês, diz polícia

Mulher já havia perdido guarda após tentar vender filhas na rua por R$ 25.
Crianças estão internadas em hospital do DF com sintomas de abstinência.


Duas crianças de 2 anos e meio e 1 ano e meio foram internadas no Hospital Regional do Gama, no Distrito Federal, no início desta semana com sintomas de abstinência de crack, informou o conselheiro tutelar de Santa Maria Hessley Brito. Segundo ele, a mãe das meninas costumava esconder pedras do entorpecente na boca das filhas para escapar de abordagens da polícia. A mulher perdeu a guarda delas no mês passado, após ser flagrada tentando vender as crianças no Entorno do DF.

“A mãe foi apreendida no mês passado no Novo Gama vendendo as crianças por R$ 25 em via pública. Um morador percebeu e foi até a delegacia. Uma viatura prendeu ela e levou consigo as duas crianças”, diz o conselheiro. “No interrogatório, ela revelou que quando sofria abordagem da polícia, pedia para a criança segurar a pedra de crack na boca.”

Segundo o conselheiro, uma das meninas vai precisar passar por uma cirurgia reconstrutiva na boca. "Uma das crianças estava totalmente sem dentes, ou com os dentes podres, tudo preto", diz. "Tem substancia química [no crack], tem solução de bateria."

O conselheiro diz que elas apresentam comportamentos típicos de quem sofre de abstinência. “Não dormem direito, ficam muito agitadas ou muito quietas, sem o raciocínio seguido”, diz. “O corpo das crianças têm hematomas pequenos que não se sabe se é catapora ou queimadura de cigarro, mas são antigos.”

Após a prisão da mãe, no início de junho, as meninas foram levadas para a casa da tia, que entregou as meninas ao pai das crianças, que vive no condomínio Porto Rico, em Santa Maria. A mulher foi solta pouco depois e não foi mais encontrada, informou o conselheiro.

Internação
Na segunda-feira (20) as crianças foram encaminhadas ao hospital após, acidentalmente ingerirem borra de cigarro e, possivelmente, resquícios de outras drogas. “De acordo com a madrasta, o pai é usuário compulsivo de álcool e outras drogas. Ele deixou cinzas de cigarro em um cinzeiro e jogou água em cima para sair o cheiro. Não se sabe se era só cigarro ou se tinha crack e maconha também.”
"As crianças viram aquilo e colocaram para dentro. Elas deram entrada no Hospital do Gama passando mal, querendo vomitar”, diz. Na segunda-feira (27) elas vão passar por uma avaliação psiquiátriaca no hospital para confirmar o diagnóstico e avaliar o grau de abstinência. A Secretaria de Saúde não informou o estado de saúde das meninas.
“Elas têm contato com as drogas desde que nasceram. A mãe usava e amamentava as crianças” , diz. “Elas foram vítimas de violência psicológica, negligência, tiveram acesso à droga desde o primeiro dia de nascimento, viraram moeda de troca para a mãe comprar crack.”
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Conselho Tutelar de Santa Maria (Foto: Conselho Tutelar de Santa Maria/Reprodução)
Conselho Tutelar de Santa Maria (Foto: Conselho Tutelar de
Santa Maria/Reprodução)








Guarda
O conselheiro afirmou que o pai não pode ficar com as crianças, mas que a companheira dele pretende adotá-las. “Como o pai não tem condições de criar, só sobrou a madrasta, que quer ficar com as crianças. Elas chamam ela de mãe”, afirmou. “Colocar no abrigo não é a primeira opção. Se o pai tiver acesso às crianças sem tratamento, iremos tomar outras medidas.”
O Conselho Tutelar soube do caso das crianças depois que a mulher buscou ajuda para cuidar das meninas. “Elas são crianças felizes ainda. Elas aparentam ainda uma felicidade, não têm aquela visão depressiva, se comunicam bem, choram quando querem as coisas, ainda têm uma esperança. Quando uma criança sofre violência dentro de casa, se percebe uma possível depressão infantil, mas elas não têm esse aspecto, não.”
Para terem a chance de recomeçar a vida, o conselheiro afirma que é preciso "presença firme do Estado". “Primeiramente elas precisam serem inseridas em uma família que não tenha acesso a entorpecentes, para não reviverem ali momentos ruin. Segundo, precisam de acompanhamento ostensivo do Estado, tanto da parte do Conselho Tutelar quando da área de saúde, assistência social, e da própria Justiça."

Fonte: g1

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