PM e PF cercam Reitoria da UFPE para fazer desocupação

Batalhão de Choque está no local e todos os acessos estão bloqueados.
Se negociação não for possível haverá 'uso progressivo da força', diz PF.

Policiais entraram na Reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) por volta das 7h30 desta quinta-feira (8) para retirar os estudantes que ocupavam o prédio desde o dia 2 de outubro, para exigir a aprovação, pelo Conselho Universitário, do novo estatuto da instituição. Houve confronto e uso de spray de pimenta.

Todos os acessos à Reitoria foram fechados antes das 6h por equipes da Polícia Federal e Polícia Militar. O Batalhão de Choque também está no local. "Eles entraram por trás jogando gás de pimenta. Tem gente lá dentro ainda e tentaram agarrar um companheiro nosso que estava saindo e a gente se jogou por cima dele, tiraram minha roupa, bateram com cassetete porque a gente tava tentando impedir que ficasse alguém pra trás. Foi excesso de força", disse uma estudante que se identificou apenas como Andrea.

"Começaram a partir desse momento as negociações para que os alunos possam sair de forma pacífica. Nós vamos esgotar todo tipo de negociação para que eles possam sair daí", disse Giovani Santoro, assessor de comunicação da Polícia Federal. Segundo ele, quando há uma determinação da Justiça para que saiam, a ocupação passa a ser ilegal. "Se o pleito deles é legal ou não, eles têm que discutir em outro palco. Esse local não pode ser usado para qualquer tipo de protesto e demanda deles. Caso não seja possível a negociação, vamos usar todos os recursos que a Polícia tem, com uso progressivo da força, para colocar eles para fora", afirmou Santoro.


Antes das 7h um prazo de trinta minutos foi dado aos estudantes para que saiam do local, caso contrário o Batalhão de Choque entrará no local. "Demos um prazo de meia hora para eles saírem, eles pediram mais dez minutos. Demos mais dez minutos e agora estamos esperando", disse Giovani Santoro. Segundo ele, há entre 30 e 40 estudantes no local.

Do lado de fora, um grupo formado por estudantes, policiais e o deputado Edílson Silva iniciou uma conversa. "A pessoa de direitos humanos da Alepe [Assembleia Legislativa] está sendo proibida de entrar para conversar com o estudantes. É mais uma tentativa de reprimir o movimento. Ouvimos o policial dizendo e já percebemos desde o começo que eles não estão aqui para negociar, mas para cumprir o mandado de reintegração de modo truculento. Qualquer coisa que acontecer aqui dentro não é por resistência dos estudantes, mas por mandado do reitor", disse uma manifestante que não se identificou.

"Nós estamos sendo massacrados aqui dentro e a imprensa não vai registrar isso", disse uma estudante que estava lá dentro mas não quis se identificar. Ela afirmou que não está autorizada a falar em nome do movimento. Depois da chegada da polícia, estudantes que estão dentro da reitoria começaram a passar para o lado de fora objetos que estavam com os manifestantes.


No dia seguinte à ocupação, o sábado (3), um vídeo mostrou uma confusão registrada durante a ocupação. O vídeo foi enviado para o WhatsApp da Globo Nordeste. Durante a confusão, uma das portas de vidro da entrada foi quebrada. Os estudantes afirmam que os seguranças particulares da UFPE quebraram o vidro. Inicialmente, a Superintendência de Segurança da universidade afirmou que a culpa era dos estudantes, mas depois alegou que "foi um acidente".

A pedido da UFPE, a Procuradoria Regional Federal da 5ª Região entrou com ação na Justiça pedindo a reintegração de posse do prédio da Reitoria, que foi concedida. A decisão deve ser cumprida pela Polícia Federal. A universidade afirmou ainda que só vai se manifestar quando o grupo deixar o local. Os alunos reclamam que os seguranças agiram com violência, tendo sido uma noite "muito complicada".

Estatuto
O estatuto, que foi apresentado em reunião com o reitor Anísio Brasileiro na sexta (3), estabelece regras administrativas da instituição e foi elaborado por servidores, professores e estudantes. A UFPE informou que representantes de professores e técnicos estavam participando da reunião e que os estudantes não aceitaram participar apenas com uma comissão.

A porta-voz do grupo estudantil, que preferiu não se identificar, explicou que o acordo firmado com a reitoria previa a participação em massa dos estudantes. "Decidimos ocupar a reitoria porque isso é um descaso, tinha sido combinada uma coisa e aconteceu outra. Em nenhum momento, a questão da ocupação foi premeditada. Foi uma reação espontânea devido à falta de diálogo. O que estão fazendo com a gente é repressão em cima de repressão", afirmou.

A UFPE informou que o reitor conversou com os estudantes após a reunião, mas que não houve acordo para a saída do prédio. Segundo os alunos, apesar do reitor ter prometido conversar, não houve diálogo como esperado. "Levamos várias pautas, entre elas a questão da segurança do campus, a homologação do estatuto, que está em vigência desde a ditadura", apontou a porta-voz.

O superintendente da segurança da UFPE, Armando Nascimento, confirmou que a porta da reitoria foi quebrada, mas disse que foi um acidente, pois os seguranças tentavam abrir a porta e os estudantes a queriam fechada. Ele afirmou ainda pelo menos um segurança foi agredido por manifestantes, que negam.


Fonte: G1
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